sexta-feira, 7 de junho de 2013

Como está o seu coração?


            Fazia algum tempo que eu não parava para olhar um pouco de televisão. Fiquei quinze minutos, tentando olhar um jornal. O que vi foi um conjunto de noticias no mínimo terrível, desde assaltos, acidentes, a pedofilia. Tudo horrível. Mas o que me chamou a atenção foi um detalhe que passa despercebido por quem costuma sempre olhar televisão: a forma grosseira de manipulação que visa simplesmente anestesiar os telespectadores.
            Cada noticia é passada em no máximo dois minutos, onde o apresentador (que virou moda também ser comentarista) apresenta sua visão dos fatos em trinta segundos, demonstrando repudio ou raiva, para logo depois ir para outra noticia pior ainda para depois falar de futebol. Você pode dizer: “É por causa do tempo, tudo é corrido, ainda mais na televisão”. Entretanto, a massificação de informações ruins acaba nos tornando insensíveis ao mal, a maldade. Ou seja, um povo (digo os evangélicos) que já não gosta de ler bíblia, o que gera uma total insensibilidade ao pecado, se fomenta de noticias mais ruins ainda, criando uma geração que posso chamar de Geração Coração de Pedra.
            Em Ezequiel 36: 26 há essa promessa sobre o derramamento do Espírito, onde Deus promete nos dar um coração novo, tirando o coração de pedra por um coração de carne. Coração de pedra é simplesmente um coração amortecido pelo pecado a ponto não conseguir discernir entre o bom e o mal, o que é santo e o que é profano. Um termo que também é semelhante é o coração duro (Isaías 46: 12).
            Irmãos, espiritualmente, a diferença entre o bem e o mal não é simplesmente o certo e o correto, aquilo que parece digno de aprovação ou de reprovação. Em síntese, o mal habita em nós (Mateus 15:19). Não, irmão, eu sou puro de coração, sou lavado no sangue de Jesus, o mal não habita em mim! Bem, se você pensa assim, quero lhe dar os parabéns! É serio, aliás, acho melhor você estar preparado, porque logo Deus vai te recolher!
            Tá repreendido! Amarrado! Amordaçado! Em nome de...
            Irmãos, o único fato de estarmos vivos ainda, crentes ou não, é a misericórdia de Deus, que se renova a cada manhã (Lamentações 3: 22). Mesmo nós, crentes, que julgamos sermos sal desta terra, somos ainda influenciados pelo pecado que habita em nós (Romanos 7: 20). Creio que a única diferença entre nós e os ímpios é que temos o Espírito Santo dentro de nós. A bíblia diz que ele é nosso penhor (II Coríntios 1: 22; 5: 5). Mas, por acaso, você já pesquisou ou tem ideia do que significa penhor?
            Do original, grego, (ἀρῥαβών arrhabon), penhor é uma promessa, ou seja, parte do dinheiro de compra ou imóvel dado antecipadamente como garantia para o resto. No linguajar popular, é o objeto de valor que deixamos como garantia de pagamento, geralmente na forma de contrato. Existiam (e ainda existem por aí), casa de penhores, onde você conseguia um determinado valor para ser pago depois, deixando sempre um objeto de valor maior, um anel, por exemplo.
            O fato de termos o Espírito Santo nos sela como filhos de Deus. Mas não retira de mim a responsabilidade de andar conforme o contrato, ou seja, em relação à bíblia. O fato de ter dons (dados gratuitamente pelo Espírito) não significa que eu posso usá-los da maneira como eu quero. A arca da aliança, que era a simbólica presença de Deus no meio de Israel não era garantia de sucesso, não se a lei não fosse cumprida em todos os seus requisitos. Foi por isso que aconteceu o fato lamentável durante a incursão de Davi ao tentar trazer a arca de volta a Jerusalém (II Samuel 1: 1 a 7). Não era qualquer um que podia levar a arca. E nós, que possuímos o Espírito de Deus, a presença, o penhor, como nós também não deveremos nos preocupar com a maneira que temos levado a arca?
            Irmãos, a arca da aliança foi roubada pelos Filisteus. Durante anos, no reinado de Saul, ninguém se lembrava da arca. Mas ela era a marca da presença de Deus no meio de Israel. Somente quando Davi se levantou como rei foi-se instituído novamente o culto a Deus. A minha pergunta, que faço a mim mesmo é: será que a glória de Deus na minha vida não tem sido vilipendiada, isto é, desprezada por mim?
            O que isso tem a ver com o jornal? O que isso tem a ver com a televisão? Tudo. Não só com a televisão, como com a internet, telefone, emprego, amigos, família. A maneira como me relaciono com tudo ao meu redor, como cristão, deve ser reflexo da maneira como eu me relaciono com Deus. Não estou fazendo um convite a uma vida tola, de total e completa separação do mundo (nem Jesus pediu isso, na oração sacerdotal de João capítulo 17). Eu instigando a você a ser perguntar: o que meu coração sente ao ver o mal? O que meu coração sente ao pecar?
            Temos que entender que ainda que lei tenha sido abolida, os sacrifícios tenham  sido feitos de maneira perfeita, completa e eterna em Cristo, os princípios espirituais da lei do Senhor continuam inalteráveis. Deus ainda é santo. E nós? Como estamos?
            Perceba que não estou dizendo que olhar isso ou aquilo é pecado. Deus nos deu Seu Espírito para que pudéssemos andar de tal forma que, ainda que eu não conheça de maneira completa e perfeita a sua lei, no meu coração de carne há a sensibilidade de saber o que eu posso e que não devo fazer, falar, ver, tocar, pensar, sentir, buscar. E isso, amados, só pode ser vivenciado pelo continuo crescimento de conhecimento das escrituras e na oração. Não só escrituras, não só oração, mas oração e palavra (Atos 6: 4).
            Amado (a) lhe faço-lhe um convite: reflita ao saber de uma noticia ruim, ao ouvir uma palavra maldosa, ter um pensamento ruim, dizer uma palavra que saiu de você e sabe que foi má. Pense qual o impacto que há em você, no seu coração. Eu não estou lhe dizendo para diferenciar se é bom ou ruim. A pergunta é: você ainda consegue ouvir a voz do Espírito? Ou será que nosso coração está amortecido pelo pecado?
            Reflita. Pense. Busque a Deus. Talvez o avivamento que estamos pedindo não venha de um coração de carne como o seu.
           
           

            

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Bíblia não é Suficiente?


            Há uma propagação dentro das igrejas evangélicas no Brasil que técnicas sociais, culturais, cientificas, psicológicas, administrativas, motivacionais, podem e devem ser usadas ombreando a edificação da igrejas em todos os seus setores, desde a área do ensino até questões administrativas, como a tesouraria. É mais comum vermos em seminários pastorais e congressos a exposição de recursos motivacionais de empresas do que a exposição das escrituras, ou quando muito, uma visão bastante estranha àquelas que vemos nas cartas de Paulo a Timóteo, consideradas pastorais, concernente a vida de um líder cristão.
            Deixe-me ser mais claro: acho que utilizar qualquer recurso que não possua no mínimo princípios bíblicos é algo humano, carnal e extremamente destrutivo. Dentre as ciências humanas que mais tem entrado nas igrejas, destaco a psicologia .
            Dentro da psicologia, vemos cada vez mais um conhecimento humano, numa espécie de adestramento mental, onde mensagens baseiam sua estrutura numa exposição da psique dos ouvintes, através de detalhamentos de seus problemas, sendo de ordem social (a pobreza, falta de dinheiro, recursos escassos ou falta de expectativas), emocional (problemas familiares, de relacionamentos), de ordem intrapessoal, (como a baixa autoestima) físicas (doenças, vícios). Esse recurso, chamado por muitos de “pontes” trazem às mensagens um cunho muito pessoal, inteligente, simétrico e extremamente produtivo.
            Como consequências, os ouvintes se sentem compreendidos, e ficam mais abertos a uma pregação, que geralmente oferece a religião como uma solução de seus problemas anteriormente tratados. Vejo dois grandes problemas:
            O primeiro é basicamente herético. As escrituras nunca buscaram centralizar uma mensagem onde nós somos o centro das atenções. Por exemplo, quando Deus se apresenta a Moisés ele diz: ...Terei misericórdia de que EU QUISER ter misericórdia, e me compadecerei de quem EU QUISER me compadecer (Êxodo 33: 19, grifo meu). Se nós lermos todo o antigo testamento, com seus desdobramentos históricos, perceberemos que o homem nunca foi o tema central (ainda que fosse por meio dele que Deus se revelasse e a ele a quem se dirigia).
            Por exemplo em Isaías 43: 25 está escrito: Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.
            Mesmo o amor de Deus por Israel tinha por base não as expectativas da retribuição deles, mas sua própria vontade, seu próprio nome, conforme se revela em Ezequiel 14, quando Deus usa o profeta para revelar que cada ação sua, desde revelação, até a conservação do povo tinha por base sua própria vontade.
            Isso não exclui o amor de Deus por seu povo escolhido, mas delimita muito bem a questão da centralidade do amor de Deus. É sabido da igreja que Deus não reparte sua glória com ninguém (Isaías 48:11). Mas muitas vezes não entendemos que glória é simplesmente a demonstração de virtudes, desde riqueza (como a glória de Salomão, descrita por Jesus, em Mateus 6: 29) até mesmo o conhecimento (II Coríntios 4: 6). Sabendo que o amor de Deus é também glória de Deus, ainda que sua glória se estenda aos homens, precisamos entender que o inicio, meio e fim de todas as coisas é Deus, e não o homem (Romanos 11: 36).
            O segundo problema do uso da psicologia em cima de púlpitos, em aconselhamentos e ensino nas igrejas é a deturpação das escrituras. É possível sim alguém cometer heresia usando a bíblia, mas quando usamos artifícios não-bíblicos a abrangência destes se torna quase imperceptível. Mas essa imperceptibilidade possui o poder de ludibriar a muitos, pois se assemelham a alguma piedade, quando na verdade são argumentos humanos travestidos de justiça própria. A marca desta psicologia se encontra na busca do bem estar do homem, na sua própria paz, através de um autoconhecimento e busca de resposta em si mesmo, quando a Bíblia ensina que a verdadeira paz se encontrar em conhecer a Deus (João 16:33).
            Dentro de uma visão bíblica, fico com Pedro:
            Visto com, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que chamou para sua própria glória e virtude
II Pedro 1: 3.
            Eu não estou aqui fazendo a alusão de separatismo radical. Apenas chamo a atenção para um estudo e conhecimento mais minucioso daquilo que tem sido pregado e ensinado nas igrejas. Creio que toda e qualquer ferramenta usada nas igrejas precisa ser analisada a luz das escrituras. O apóstolo João ensina que não devemos crer em todo espírito (I João 4: 1). O original desta palavra, espírito, não engloba somente o mundo espiritual, mas também a disposição mental a qual se está inferindo à igreja.
            Se cremos que as escrituras são divinamente inspiradas, também estamos dizendo que não somente ela é digna de fé, como também possui o peso principal para todo e qualquer ensinamento.
            Por último: não contra o uso da psicologia, seja ela científica (neurociência, por exemplo) ou prática (como a psicologia comportamental). Sou contra a influencia destas em áreas conhecidamente espirituais, como a salvação, princípios reguladores de fé (em quem cremos, o que esperamos dessa fé, quais as doutrinas dessa fé). Sou contra técnicas psicologias manipulativas dentro de nossos cultos (coisas como o aperte a mão do seu irmão, que são técnicas indutivas de atenção) ou mesmo dentro das nossas mensagens, racionalizando questões que só podem ser entendidas pelos espirituais (I Coríntios 2: 6 a 15).
            Mais uma vez: não prego uma alienação à cultura, até porque Paulo ensina que devemos reter aquilo que é bom, saudável (I Tessalonicenses 5: 21). Mas este bem deve estar abalizado às escrituras (I Timóteo 3: 14 a 17). Sejamos sábios para o bem, e inocentes para o mal (Romanos 16: 19).
  
            

domingo, 2 de junho de 2013

Mente Cristã


            Um tempo atrás o nosso grupo de jovens fez uma camiseta. Para colocar na camiseta uma imagem, foi pedida a opinião de cada jovem, e eu indiquei a imagem à cima: um cérebro com um símbolo de peixe no centro. Para mim, era algo claro, pois sempre aprendi que o símbolo do peixe sempre foi associado ao cristianismo, desde seu primórdio.
            Mas uma coisa realmente me deixou triste e muito preocupado: fui escarnecido. Todos (todos os jovens) riram da minha ideia. “Tinha que ser de você mesmo!” Fiquei muito bravo, mesmo. Não por ser ridicularizado, mas por muitos cristãos novos não conhecerem a história da igreja. Isso é lamentável, e o que deveria ser motivo de vergonha, é algo normal. Em outras palavras, somos uma juventude sem identidade. Pelo menos não temos a identidade cristã que se prega.
            O que é uma identidade cristã? A palavra identidade, no sentido pessoal, significa o conjunto de ações, pensamentos e expressões de uma pessoa, ou grupo de pessoas. É uma marca, um modelo, estilo. Jovens que se vestem de uma determinada maneira, falam com gírias, tem preferências musicais gostam de serem identificados por esses gostos. É a identidade deles, a maneira como eles se apresentam ao mundo.
            O que seria ter uma identidade cristã? Em primeiro Coríntios encontramos em Paulo uma definição esclarecedora: Nós temos a mente de Cristo (I Coríntios 2: 16). Do texto original, significa que temos pensamentos, sentimentos e vontades como as de Cristo. Em Atos 11: 26 está descrito a primeira vez que as pessoas que professavam a fé em Cristo foram chamadas de cristãs.     
            Partindo destes princípios, eu pergunto: o que significa, de maneira real, ter pensamentos, sentimentos e vontades semelhantes a Cristo? Espiritualmente falando, é impossível uma pessoa naturalmente adquirir estas qualidades, virtudes. No próprio texto de Paulo na primeira carta aos Coríntios, é explicado que é impossível ao mundo, às pessoas que não creem em Cristo, compreenderem isso (I Coríntios 2: 14). Então, pensando desta maneira, eu não posso me classificar como cristão com os parâmetros do mundo, simplesmente porque eles são incompatíveis.
            É necessário nascer de novo (João 3: 1 a 8). Este novo nascimento significa morrer para o mundo, e viver para Deus (Romanos 6: 4 a 11). Paulo diz que a nossa vida anterior a fé em Cristo, chamada de velho homem, foi crucificada com Cristo, sendo substituída pela nova criatura (II Coríntios 5:17).
            Beleza. Creio em Cristo e tenho nova vida, sou uma nova criatura, tenho nova identidade...mas qual? O grande problema desta geração é que, por desconhecer as escrituras, o evangelho, pintam qualquer mudança como sendo característica desta nova identidade. Não há parâmetros senão o cool, o legal. Vamos fazer festas, jantas, reuniões, retiros, tudo isso para mostrarmos como somos novas criaturas, e para ninguém reclamar, vamos colocar tudo isso em nome de Jesus!
            Na epístola a Tito, Paulo diz o seguinte: Quanto aos moços (jovens), exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos (Tito 2: 6). Amados, que critérios têm definido a nossa cultura jovem cristã? Existe algum critério? Ou será que não temos moldado a mocidade cristã conforme os parâmetros do mundo?
            Ah, irmão, o importante é mudar de vida e dizer é que de Jesus! Não existe essa coisas de ser de Jesus, e sim estar Nele. Existe uma diferença abismal de ser de Jesus, e estar em Cristo. Todas as coisas, em última análise, são Dele (Romanos 11: 36; Filipenses 2: 9 a 11). Mas estar Nele significa conhecer e praticar seus mandamentos (há tantos versículos que recomendo ler a primeira epístola de João, para começar). Estar em Cristo significa, dentre outras coisas, ter uma vida agradável diante Dele. Eu não vou aqui enumerar ou dizer o que agrada a Deus. Convoco você, irmão ou irmã que esta lendo isso, a procurar, principalmente nos evangelhos e cartas dos apóstolos a procurar por essa resposta.
            Eu não sou contra retiros, congressos, jantas ou qualquer outra coisa que promova a união entre jovens. Sou contra dizer que isso é ser cristão. Um verdadeiro cristão baseia a sua vida na comunhão com Deus, através das escrituras, da oração, e da busca de uma vida piedosa.
            Isso não significa perfeição, mas uma vida humilde, quebrantada, de temor. Segundo o Dr. R.C. Sproul: de fato, quanto mais piedosos somos, quanto mais nos esforçamos para sermos dedicados, tanto mais dolorosamente cônscios de nossos pecados seremos.
            Precisamos de jovens piedosos, em vez de jovens com identidade própria. Piedade, amor, fé e perseverança sempre foram e sempre serão as marcas de um cristão, a verdadeira nova identidade evangélica (Mateus 10: 22; João 13: 35; II Pedro 1: 3 a 8).
           
           




Rap Bíblico

              Não sou muito fã de rap. Mas dada a situação dos hinos cantados hoje, sua pobreza bíblica e espiritualmente carnais, tenho me alegrado quando encontro músicas que valorizam mais as escrituras. Eis aqui um rap biblicamente correto, forte e extremamente prático. Aos que não gostam, respeito. Mas aos que amam as escrituras, é a letra é simplesmente maravilhosa. Veja, reflita e tire suas conclusões:



Recomendação: A Oração Muda as Coisas

       


            Finalizei agora a leitura de um livro simples, mas extremamente profundo: A Oração Muda as Coisas, do Dr. R.C. Sproul, pastor na igreja de Saint Andrew, em Sanford, (Flórida). O livro está em formato digital e está disponibilizado gratuitamente pela Editora Fiel para baixar.
            No livro, o doutor Sproul traz um estudo bastante cuidadoso e moderado sobre a oração eficaz: como orar de maneira saudável, equilibrada, madura, e que tipo de respostas devemos esperar de nossas orações. Ao contrário de muitos livros que já li, o pastor traz uma análise muito mais bíblica e prática da oração do que simplesmente instar ao leitor a pratica da oração.
            Um dos capítulos que mais me chamou a atenção foi A Prática da oração, onde ensina em forma de acróstico uma maneira pratica e bastante edificante como orar conforme o modelo de oração do Pai Nosso.
            Não espere um livro cheio de histórias extraordinárias e coisas absurdas. O pastor dá muito mais atenção àqueles que simplesmente querem aprender a orar para andar conforme a palavra de Deus, do que para os famosos caçadores da benção perdida. É um livro de leitura rápida (são pouco mais de cem páginas), mas aconselho a ler com uma bíblia. Também de fácil compreensão, por isso não espere por um esmero teológico.
            É um livro agradável, inteligente, e extremamente esclarecedor. Eu diria que é uma leitura altamente recomendada para aqueles que desejem aprender mais sobre oração, e acima de tudo, querem aprender sobre uma oração bíblica. Abaixo está o link. Apenas se inscreva na editora, com seu e-mail. Aliás, há muita coisa boa que a editora proporciona ao povo de Deus. Além de uma gama de livros variadas de ótimos teólogos e pastores, há muito conteúdo reformado, que vai desde Calvino a John Pipper. E muitos dos materiais estão a disposição para baixar gratuitamente.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Será que sou orgulhoso?

            Será que sou amante do orgulho? Será que, na minha busca pela vontade de Deus, não há uma parte de mim que apenas deseja ser usado para todos vejam e testemunhem que Deus está comigo, assim como esteve com José (Gêneses 39: 2)?
            Quando eu olho alguns anúncios, seja na internet, rádio ou televisão, mesmo em carros de propaganda ou cartazes, convidando as pessoas paras cultos, congressos, simpósios ou seminários em igrejas é comumente colocado o nome dos convidados e pregadores, e quando estes são famosos, lhes é dado proeminência, destaque. Mas lendo o texto de Lucas 5: 16, fico a pensar: Cristo faria isso?
            Ele, porém, se retirava para lugares solitários e ali orava.
            Não são poucas vezes que vi lideres e pastores ensinando a obreiros que a propaganda é arte do negócio, ou quem não é visto não é lembrado. Isto tem coerência no mundo dos negócios, no show business, mas no Reino de Deus, isso é válido?
            Sério, não estou querendo ser radical demais. Mas certas coisas são exageradas. Ainda mais quando vejo certos pregadores e cantores tomando para si uma glória que dizem ser eles “dadas a Deus”, mas comportando-se como verdadeiros astros, donos da festa. Quem nunca viu um pregador ou cantor chegar no meio do culto? Infelizmente, os cultos tem se tornado cada vez mais o centro da atenção da igreja. Sim, infelizmente. Vou tentar explicar meu ponto de vista.
            Todas as estratégias de muitas igrejas se concentram num ponto: o culto. O conjunto ensaia para o culto. Pregadores preparam um sermão, para o culto. E os crentes geralmente se preparam alguns minutos antes de começar o culto. Então, todos os pensamentos, intuitos dos fiéis se resumem àquele período, que varia de uma hora e meia a duas. Neste interim, elas tem que: orar, clamar, cantar, pedir, adorar, profetizar, receber dons, ser usados, ouvir a mensagem, receber a oração, ficar sabendo das atividades durante os dias seguintes e depois...continuar vivendo.
            Qual o problema disso: porque tudo o que acontece num culto é medido pelo que acontece no culto. Se um culto não é bom, o próximo tem que ser melhor, senão...Crente que falta culto de doutrina é...crente que não oferta no culto...crente que não chora no culto...que não ora...não adora, fica só de braços cruzados...que não glorifica...TUDO NO CULTO.
            Então, por consequência, quando alguém, de alguma forma, se destaca no culto, se torna centro das atenções. Talvez o carisma, fala bem, canta bem, talvez seja muito usado. Nossa cultura gospel diz que essa pessoa tem que ser honrada, porque Deus está com ela...Será? Biblicamente, o que significa que Deus está comigo?
            Será que não estamos nos tornando idólatras de cultos? CUMÉ? Nunca vi disso! É mesmo? Como será que eu meço minha vida espiritual? Pela minha fé em Deus, por minha meditação na sua palavra, na oração em secreto, na maneira como eu lido com minha família, amigos, ímpios? Pelo meu conteúdo de informação, seja na tevê, livro, internet? Sejamos sinceros, nós não costumamos medir a nossa vida espiritual por nossos cultos nos templos?
            Quantas pessoas eu já não ouvi que estão decepcionadas com Deus, com a igreja, porque não tem oportunidade, porque não são obreiras, porque não são ajudadas...Quantos irmãos são ensinados a se destacar, a buscar isso e usar os dons que o Espírito Santo deu como ferramenta? Quantas vezes eu murmurei num culto por causa do pregador, de quem dirigiu, de quem cantou e levei essa murmuração para casa, numa espécie de farisaísmo manso, santo?
            Quantas vezes nós medimos nossos pastores, obreiros, lideres, cantores por seu desempenho num culto? Ficamos tristes porque um irmão ou irmã não meu deu paz do Senhor? Ou que fui repreendido? Ou que me senti triste (num culto? Sim, isso acontece e muito)?
            Temo que esse seja o motivo de haverem tantos shows gospel tomarem o lugar do culto. O que no final é coerente, porque se nossos cultos se tornam nosso centro de atenção, nada melhor que adaptar o púlpito para um palco e chamar nosso culto de show, já que é exatamente isso que fazemos, medimos os outros!
            Então, lendo os evangelhos, vejo Cristo, pregando, curando ensinando, fazendo um culto. Porque ele não criou um templo? Porque ele, simplesmente, deixava de pregar em desertos e ruas, e montava uma tenda, ou alugava um prédio e ensinava? Eu não estou fazendo apologia antidenominacionalismo, ou contra templos, comunidades. Estou tentando afunilar tudo isso para um principio: o principal culto da minha vida é no meu coração, na minha mente.
            Em João 4: 19 a 24 se encontra um dos textos mais deturpados e mal entendidos do cristianismo atual. Muitos adoradores (todo crente salvo é adorador, não existe distinção) usam este texto para motivar o povo a adorar, o que na verdade é pretexto para cantarem seus hinos. Se lermos o texto e contexto, veremos que somente há um ensinamento: a cruz de Cristo.
            Antes, a verdadeira adoração, o único lugar onde era aceito o culto a Deus era no templo. Fora dele, existiam sinagogas onde era ensinado, mas culto, somente no templo. Se a pessoa pecasse, ela tinha que sacrificar um animal, templo, oferecendo expiação pelo pecado, mediado por um sacerdote. Haviam dias específicos para adorar no templo, havia um ritual, uma maneira, um jeito e um lugar.
            Mas quando Cristo morreu por nossos pecados o véu se rasgou. A partir daquele momento, toda pessoa que cresse em Cristo e confessasse, seria salvo (Romanos 10: 9). Mas não somente isso, ela seria o próprio templo do Espírito (I Coríntios 3: 16; 6: 19). Isso significa em todo lugar ela mesma seria sacrifício de Deus (Romanos 12: 1), e ela própria seria agradável diante de Deus (II Coríntios 2: 14; Efésios 5:2). Não há nada num culto de templo que já não exista no meu coração, na minha vida.
            Então, para que congregar, frequentar uma igreja? Primeiro porque eu não sou perfeito. Há coisas em mim que precisam continuamente ser trabalhadas, ensinadas, edificadas, muitas vezes preciso ser repreendido, exortado, preciso de oração dos outros. Em I Coríntios 12 Paulo fala extensivamente sobre isso, mas quero destacar um versículo:
            Para que não haja divisão no corpo, pelo contrário, cooperem os membros, com cuidado, em favor uns dos outros.
II Coríntios 12: 25
            No capítulo 14, verso 12 está escrito que eu devo progredir, não para ser honrado, crescer, ser próspero, rico, ilustre, mas para edificação da igreja, ou seja, dos meus irmãos.
            Amados, creio que precisamos fazer uma profunda revisão sobre a importância do culto, não para destituí-lo de sua importância, mas da sua direção. Talvez, assim, possamos realmente crescer, e não nos incharmos.
            Que você acha? Por favor comente, quer criticando minha visão (talvez eu esteja precisando de sua crítica) quer repartindo a sua. Isso é igreja. É assim que crescemos em Deus, em Cristo.
           

            

Que Preciso Fazer?


            O que eu preciso fazer para herdar a vida eterna?
            Esta é uma pergunta recorrente nos evangelhos, e já vi muitos pregadores usarem esta pergunta para levarem a muitos a crer que a salvação é conquistada. Na realidade, todas as vezes que um fariseu ou qualquer outro perguntava a Cristo o que era “necessário” para ser salvo Jesus propunha um desafio (o moço rico deixar suas riquezas, Mateus 19: 21), ou ensinava que essas pessoas precisavam até mesmo romper os limites do preconceito nacionalista ou religioso (Lucas 10: 25 a 37).
            Lendo alguns materiais na internet, seja por testemunhos, vídeos no youtube, ou mesmo estudos em blogs e sites evangélicos percebo que grande parte dos que se dizem crentes possuem um alto senso de justiça própria, isso é, gostam de se gabar de suas visões, pensamentos, atitudes, e de maneira perigosa levam uma mensagem centralizada na vontade humana.
            Quando encontramos nos evangelhos a resposta dessa pergunta, como herdar a vida eterna, sempre encontramos a mesma resposta: não depende de nós. Jesus disse que era impossível o homem salvar a si próprio através da sua vontade (Mateus 19: 25, 26). Isso não significa que o homem não precisa fazer nada, mas que tudo o que ele venha a fazer é por vontade de Deus (Filipenses 2: 13).
            Esse é um embate centenário, entre calvinistas e arminianos, sobre o peso da decisão do homem na salvação e operação contínua dela. Para os calvinistas, Deus elege e predestina, e faz o crente fiel perseverar na salvação. Para o arminianos a salvação é sinérgica, ou seja, é trabalho entre a vontade de Deus e decisão humana. Eu não quero entrar em méritos e deméritos, até porque o objetivo deste blog nunca foi trazer questões teológicas divergentes. O meu enfoque não é calvinista ou arminianista, é simplesmente trazer à consciência que o conhecimento da salvação só nos é possível porque Deus se revelou a nós em Cristo. Se você crê que a salvação pode ser perdida ou não é uma coisa. Agora que a graça e misericórdia foram reveladas somente por causa do amor de Deus, isso é inquestionável.
            Existe um grande perigo ao defender-se essa ou aquela posição quando nossas convicções baseiam-se apenas em questões periféricas. Deus me salvou e me tirou das drogas. Então, a experiência pela qual passei esta acima de qualquer outra revelação. Eu sou assim, fui salvo assim e se Deus não me mudou, quem pode mudar? Eu odeio religião porque ela só condena! Uma pessoa só é salva quando ela deixa de fazer isso ou aquilo; ela só pode ser batizada se...
            A minha convicção é que maneira pela qual Deus opera na salvação pode ser diferente entre uma pessoa e outra, mas o meio por qual ela é revelada e é continuamente edificada é mesma para todos, sejam calvinistas ou arminianista, sejam drogados, prostitutas, com depressão, homossexuais, pessoas comuns que nunca fizeram nada demais: somente pelo evangelho podemos conhecer o poder Deus (Romanos 1: 16).
            Só podemos ver transformações de vida se for pregado o evangelho. Não podemos dar uma lista, ou um conjunto de regras, passos ou atitudes que uma pessoa deve tomar para aceitar a Cristo. O pior e mais detestável evangelho que pode ser pregado é aquele que atende muitas demandas, sejam elas sociais, psicológicas, emocionais, físicas ou familiares. Porque, no final, isso não é evangelho. É boa ação, que por mais moralista que seja, baseia-se em no orgulho, na auto independência.
            Qual é o verdadeiro evangelho? Aquele que, por meio da cruz de Cristo, evidencia o pecado que há nós, nos trazendo à realidade divina, que estamos sob sua ira, sendo filhos da perdição, e que oferece, demonstrando o amor de Deus no seu Filho, a salvação, sendo que existem apenas duas atitudes: ou crer e ser salvo, ou não crer e ser condenado. Creio que nós, crentes, se estivermos mais preocupados e conhecer e viver este evangelho, do que criar métodos de mais pessoas fazerem para herdar a vida eterna, o poder do Espírito Santo seria muito mais evidente na nossa vida.